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“Não tenho tempo”

há +271 semanas

Era uma vez um garboso cavaleiro que numa manhã ensolarada passeava o seu cavalo num belo bosque quando deparou com um lenhador que esforçadamente cortava uma árvore com uma serra. Curioso, o passeante aproximou-se do lenhador e reparou que ele estava com muitas dificuldades em executar o seu trabalho, porque a serra estava visivelmente pouco afiada. Tentando ajudar, o cavaleiro disse ao lenhador – “Já reparou que a sua serra está pouco afiada, o que o obriga a trabalhar mais e atrasa a conclusão da sua obra?” – sugerindo, de seguida – “Porque não pára um pouco e a vai afiar?” O lenhador, sem largar o que estava a fazer, respondeu-lhe polidamente – “Sim, eu sei, mas não tenho tempo. Bem vê que estou muito ocupado”.

Ao longo da minha carreira deparei com inúmeras situações de falta de tempo para “afiar a serra”. Situações como a do Empresário que não permite que os seus colaboradores vão a uma acção de formação, mesmo sabendo que depois dessa acção eles irão vender mais ou melhorar a qualidade do serviço que prestam. Ou a do Chefe que, apesar de estar assoberbado de trabalho, não delega tarefas num dos seus colaboradores, alegando que não tem tempo para o preparar e monitorizar. Ou ainda a do candidato que confrontado com a inexistência duma licenciatura ou duma pós-graduação especializada no seu CV, argumenta que não tem tempo porque a sua actual função é muito absorvente.

Confesso que tenho sempre muita dificuldade em aceitar justificações fundamentadas em falta de tempo, porque penso que, na maioria dos casos, a alegação de falta de tempo é apenas uma desculpa para esconder as verdadeiras razões. O Empresário que não envia um membro da sua equipa à formação é, provavelmente, porque não acredita que a formação tenha um impacto forte na melhoria do serviço. O chefe que não delega é, quase sempre, porque está inseguro sobre as suas competências e / ou não confia nos seus colaboradores. O candidato que não se actualiza é, presumivelmente, porque tem dificuldade em sair da sua zona de conforto. Em todos estes casos, o tempo serve apenas de desculpa. As convicções e as atitudes que elas determinam são as verdadeiras razões.

O tempo é o mais universal e democrático dos bens. É igualmente distribuído por ricos e pobres, por operários e executivos, por crianças e adultos. Todos começam cada dia com a mesma quantidade de tempo disponível, 86.400 segundos. A diferença está na intensidade e forma como os utilizamos. Há quem pense que tempo é dinheiro, mas também é saúde, família, qualidade de vida, prazer, etc. Cada um elege as prioridades de utilização do seu tempo em função daquilo que valoriza. Se para alguns frequentar um curso de especialização pós-laboral é uma prioridade, para outros é mais importante jantar com a família, beber uma cerveja com os amigos ao fim da tarde ou colocar uns posts no Facebook. Estas ocupações não são inconciliáveis, mas não podem ser simultâneas, o que, para além de escolhas, exige capacidade de organização.

 

É por isso que algumas pessoas arranjam tempo para fazer tudo e ainda lhes sobra disponibilidade para alguma “urgência” que surja, enquanto outros, fazendo muito menos, passam a vida a dizer “não tenho tempo”. O tempo é o mesmo para todos. Ter ou não ter tempo não é uma questão de escassez, é uma questão de atitude. Não é por acaso que surgiu o ditado popular que diz que “se queres algo seja feito, pede-o a uma pessoa que esteja ocupada”

 

José Bancaleiro,

Managing Partner

Stanton Chase International – Executive Search Consultants

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Comentário de Célia Pinto:
Mais uma excelente estoria. Ao longo da nossa vida pessoal e profissipnal encontramos muitas pessoas que alegam não ter tempo e que o dia não devia ter apenas 24h. O tempo é um bem precioso vale ouro como dizem cabe- nos a nós geri- lo da melhor sem desculpas.

2015-05-29 18:02:42

Parabéns por mais um excelente tema que traz a debate Dr. José Bancaleiro.

O tempo é de facto o bem mais precioso de que dispomos. E gratuitamente.

Vivemos num mundo em que a profissionalização em todas as áreas do conhecimento é já um modo de sobrevivência. Não há outro caminho.

Na minha terra dizia-se que quem trabalha muito perde tempo para ganhar dinheiro querendo isto dizer que há um universo imenso de coisas convívio são desporto formação vida social etc que acrescentam mais valias a uma carreira profissional do que o tradicional trabalho árduo que a meu ver está um pouco fora de moda. Não é o muito pau que lavra Não é por muito se madrugar que amanhece mais cedo ... são outras expressões populares que traduzem o mesmo pensamento.

Trabalhar melhor e de uma forma mais produtiva é o caminho. E isso só se consegue com plano de desenvolvimento pessoal ágil e adaptado a um mundo que muda a cada dia que passa.

Não há desculpa para não investirmos em formação se quisermos ser melhores e mais produtivos.

José Eduardo



2015-05-29 20:57:40
Comentário de Irene Lima:
Um bom tema para reflexão Mais uma vez
muito bem estruturado. Obrigado Professor.

2015-05-30 04:59:09
Comentário de Irene Lima:
Um bom tema para reflexão Mais uma vez
muito bem estruturado. Obrigado Professor.

2015-05-30 04:59:12
Comentário de José Bragança:
Parabéns por tudo o que tem feito em prol da Formação. A sua vida profissional tem sido um exemplo que todos devemos admirar e amplificar.
Um abraço com estima e consideração

2015-05-30 12:34:42
Comentário de Paulo Serra Sim Sim:
Interessante e curiosa desconfiguração entre duas variáveis dinâmicas muito diferentes falta de tempo e de disponibilidade leitura recomendada.

2015-05-31 16:22:02
Comentário de ines:
Olá parabens pelos belos artigos que escreve.

2015-06-22 18:04:25
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